Sinhá Junqueira torna-se referência em cirurgia cardíaca infantil no interior do Estado de São Paulo
Desde 2005, hospital já realizou mais de 150 procedimentos de todos os tipos de cardiopatias; a infraestrutura da UTI Neonatal e pediátrica de alta complexidade e tecnologia de ponta dão a segurança necessária para a equipe especializada
A cirurgia cardíaca infantil é bem diferente de uma cirurgia cardíaca em adulto. É muito importante que o atendimento seja feito em um Hospital com equipes especializadas no atendimento destes pacientes, pois as necessidades de cuidados são maiores e bem específicas. Outro fator fundamental é a existência de uma UTI Neonatal e pediátrica bem equipada, com equipe qualificada para monitorização e atendimento intensivo de casos de alta complexidade.
No interior do Estado de São Paulo, o Sinhá Hospital Materno Infantil está se tornando referência neste tipo de procedimento na rede privada. Desde 2005, já realizou mais de 150 cirurgias, dos mais diversos tipos de cardiopatias congênitas. O hospital oferece 25 leitos de UTI Neonatal e 6 leitos de UTI Pediátrica, com equipamentos modernos, seguindo as tendências tecnológicas mais utilizadas nos melhores hospitais.
"Nos últimos dois anos, temos recebido cerca de três crianças por mês oriundas de cidades da região como São Joaquim da Barra, Orlândia, Pitangueiras, Jaboticabal, São João da Boa Vista, São José do Rio Pardo, entre outras", explica Paulo Ricardo Góes, gerente administrativo do Hospital. A cada 100 crianças nascidas, aproximadamente uma acaba por precisar da atenção de um cardiologista pediátrico, embora não necessariamente de uma cirurgia no coração. Algumas doenças podem ser diagnosticadas ainda intra-útero, outras podem se manifestar logo após o nascimento e precisar de tratamento e até de uma cirurgia nos primeiros dias de vida. Outras ainda podem ter manifestações mais discretas e serem diagnosticadas apenas mais tarde.
"Além das cirurgias realizadas, existe um número considerável de crianças que vêm para avaliação, não necessitam cirurgia e acabam sendo acompanhadas ambulatorialmente", completa o gerente. As cirurgias têm sido realizadas com grande índice de sucesso. Todos os tipos de cardiopatias já foram tratados com sucesso neste hospital, incluindo as mais complexas e raras como ventrículo único, transposição das grandes artérias, atresia tricúspide, interrupção do arco aórtico, defeito do septo AV e hipoplasia do coração esquerdo.
"Graças aos cuidados intensivos na UTI neonatal temos tido excelentes resultados na correção destas cardiopatias, inclusive em crianças no período neonatal (primeiras semanas de vida)", finaliza Paulo Ricardo.
Doenças mais freqüentes:
Permeabilidade do canal arterial (PCA): muito comum em prematuros, é o defeito extra-cardíaco mais comum. Representa a comunicação da aorta com a artéria pulmonar. Geralmente seu diagnóstico leva à cirurgia.
Coarctação da aorta: é um estreitamento da aorta após a saída do coração que pode precisar de cirurgia de emergência. As crianças com esta condição podem apresentar hipertensão arterial e geralmente têm uma diminuição dos pulsos dos pés em comparação com as mãos.
Forame oval patente: muito comum na população, geralmente não há indicação de tratamento cirúrgico, apenas em casos de derrames (AVC) com origem embólica.
Comunicação inter-atrial (CIA): Consiste em uma falha na divisão dos átrios, permitindo a passagem do sangue de um lado para outro, é a cardiopatia congênita mais comum do adulto, pois geralmente dá poucos sintomas atrasando seu diagnóstico. A cirurgia geralmente deve ser feita na idade pré-escolar e sua indicação depende da repercussão da doença, determinado pelo ecocardiograma.
Comunicação inter-ventricular (CIV): consiste na comunicação entre os dois ventrículos, o sangue passa do lado esquerdo para o direito pela diferença de pressão e, se não tratado, pode levar a hipertensão pulmonar. Uma parcela dos casos pode ter cura espontânea, é comum ouvir que determinada pessoa tinha sopro que sumiu após alguns anos. A cirurgia é indicada conforme a localização da lesão no coração e sua repercussão determinada pelo ecocardiograma.
Defeito do Septo AV: é uma doença complexa, que geralmente ocorre na Síndrome de Down, consiste na presença de uma falha entre os átrios e os ventrículos e a presença de uma válvula única entre eles, no lugar de duas. As crianças com esta doença devem realizar a cirurgia até os seis meses de idade, pelo risco maior de hipertensão pulmonar.
Tetralogia de Fallot: consiste em um estreitamento da saída do ventrículo direito e uma abertura entre os ventrículos (CIV), desta maneira o sangue sem oxigenação passa para a circulação do corpo, deixando a criança cianótica (azulada). Em alguns casos a cirurgia tem que ser feita logo ao nascimento. Em outras pode ser feita mais tarde, conforme a gravidade dos sintomas.
Transposição das Grandes Artérias: seu diagnóstico implica em uma cirurgia nas primeiras semanas de vida. Consiste na troca da posição dos vasos que saem do coração e sua cirurgia promove a realocação na posição adequada (cirurgia de Jatene). As crianças com este diagnóstico precisam de atendimento em um centro especializado, com uso de medicações especiais, às vezes de cateterismo e cirurgia.
Hipoplasia do Coração Esquerdo: é a cardiopatia mais grave, necessita de tratamento logo após o nascimento em uma unidade especializada, com administração de medicações especiais. Consiste no desenvolvimento inadequado de toda parte esquerda do coração, seu tratamento inicial pode ser uma cirurgia para transformar o lado direito na bomba principal do coração (cirurgia de Norwood). Mas é uma cardiopatia que exige várias cirurgias para sua correção adequada.
Ventrículo único: nome genérico para várias situações onde apenas um ventrículo deverá manter toda a função cardíaca, podendo corresponder a casos de hipoplasia do coração esquerdo, transposição com estenose pulmonar, dupla via de entrada de ventrículo esquerdo, defeito de septo desbalanceado, etc. As crianças que têm esta situação devem passar também por várias cirurgias e necessitam de acompanhamento com cardiologista especializado por toda a vida.